Vem aí a Mars 2020! | G1 – Ciência e Saúde

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Mars 2020

 

Em 2012 o jipe Curiosity, cujo nome completo é Laboratório de Ciências de Marte, pousava no planeta vermelho. Planejado para durar um ano marciano (ou quase 2 anos terrestres) o jipe já está há 5 trabalhando sem nenhuma falha que comprometa os objetivos de sua missão. Esses objetivos incluem estudar a geologia de Marte, investigando os processos como ciclos da água e do dióxido de carbono, mas também a disponibilidade de material essencial para a formação e desenvolvimento de vida, tais como carbono, hidrogênio, nitrogênio e oxigênio, por exemplo.

 

Mas nem bem o jipe pousava em Marte, a Nasa já preparava a missão seguinte.

 

É que o Curiosity estreou um método de pouso para lá de inovador, mas também muito mais perigoso. O pouso do jipe envolveu a tradicional frenagem por meio do atrito com a atmosfera e o uso de paraquedas. Mas em determinada altura o paraquedas foi descartado e uma cápsula com retrofoguetes reduzia a velocidade da queda enquanto procurava um local adequado para o pouso. Quando o local foi encontrado, a cápsula simplesmente baixou o jipe por cabos até que ele tocasse o solo marciano e depois de confirmar que o terreno era firme, se desconectou da cápsula e ela voou para longe de modo a evitar que caísse sobre o próprio jipe. Esse procedimento de pouso foi batizado de “7 minutos de terror”.

 

Como ele nunca havia sido testado antes e tinha tantas fases críticas que qualquer detalhe poderia arruinar a missão, uma réplica do jipe foi mantida como backup nos laboratórios da Nasa. Caso alguma coisa desse errado eles teriam nova chance mais tarde. Mas com o sucesso do pouso e da missão em si, o reserva passou a ser o titular da nova missão!

 

A missão foi chamada de Mars 2020, que deve aproveitar a janela de lançamento entre julho e agosto de 2020 e vai usar uma versão melhorada do Curiosity. A nova missão deve aproveitar quase 80% do que foi feito para o Curiosity, além de reduzir os custos e o tempo de preparação, a maior vantagem é que tudo já foi testado inclusive em condições reais de uso. Isso aumenta em muito a confiabilidade dos instrumentos.

 

Os instrumentos que serão repetidos no 2020 não serão exatamente iguais. Depois de quase 10 anos, a tecnologia mudou muito e as novas versões serão muito melhores. Até o braço robótico sofreu um upgrade e terá 2,1 metros de comprimento, ele possui um ombro, cotovelo e até pulso para executar movimentos em 5 direções diferentes! Na ponta dele, sua “mão”, vai uma furadeira, um sensor de contato, um instrumento para estudo de minerais chamado Sherloc que acompanha uma câmera para acompanhar tudo de perto chamada, adivinhe, Watson. Elementar, meu caro.

 

Por falar em câmera, o jipe deve levar 23 delas! Elas serão divididas em 9 para engenharia, 7 para ciência e 7 para efetuar o registro das manobras de entrada na atmosfera, descida e pouso. As câmeras de engenharia são para monitorar as condições do jipe, principalmente suas rodas, mas servem também para a navegação e identificação de obstáculos a serem evitados durante o caminho. Aliás as rodas são outro item melhorado no jipe depois de avaliar as condições das que estão no Curiosity. Essa semana mesmo a Nasa fez uma checagem de rotina nelas e notou um aumento no número de buracos nelas. As rodas são feitas com uma folha de alumínio bem fina que estão resistindo menos do que o previsto e quando passam sobre uma pedra acabam se rasgando.

 

As câmeras de ciência vão fazer como a Watson, e serem usadas para inspecionar amostras que vão ser coletadas para estudo no próprio jipe. Só que se algum lugar visitado se mostrar muito interessante, mas o jipe não possuir o equipamento necessário para estuda-lo, uma amostra será recolhida e embalada para posterior análise! Posterior como? Sim, por algum astronauta que visitar o jipe no futuro.

 

Mas talvez o mais legal sejam as câmeras que serão usadas nas manobras de pouso, as mesmas feitas pelo Curiosity, ou seja, mais 7 minutos de terror. Elas vão monitorar todas as etapas fornecendo as informações necessárias para a escolha do melhor local de pouso. Veja que tudo isso é feito de maneira autônoma, pois Marte está a aproximadamente 40 minutos luz de distância, o que significa que qualquer comando ou imagem leva 40 minutos para chegar à Terra. Só que dessa vez tudo será guardado nos computadores de bordo e depois será transmitido para a Nasa. Pela primeira vez vamos ter imagens de toda a sequência de pouso de uma nave em outro planeta. E com som! A Nasa embarcou também um microfone para registrar os sons da descida, mas também o barulho do vento marciano e também os ruídos de operação do jipe. Outras duas sondas já tentaram esse feito, mas a Mars Polar Lander falhou na tentativa de pousar e o microfone de sua sucessora, a Phoenix Lander nunca funcionou.

 

O principal objetivo do Mars 2020 será buscar evidências de que tenha havido vida em Marte em algum momento do passado. Para isso seus instrumentos vão procurar por traços de atividade microbiana em amostras de solo, mesmo que essa atividade tenha sido há bilhões de anos, quando havia água abundante em Marte. Outro objetivo, ainda que secundário, é investigar a possibilidade de se produzir oxigênio a partir da atmosfera marciana, em preparação para um futura colonização do planeta.

 

Ainda falta muito até 2020, mas o projeto está no cronograma e tudo indica que não vai atrasar e em 2021 o jipe deve pousar em Marte. Em 2021 deve pousar também o jipe ExoMars da colaboração entre as agências espaciais europeia e russa, o que deve fazer com que 3 jipes estejam explorando Marte ao mesmo tempo! Com sorte, o Opportunity ainda estará em operação e assim seriam 4 jipes estudando o planeta vermelho. Nada mau!



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