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 D. Berry/ALMA

 

A teoria mais aceita para explicar o universo como vemos hoje diz que as galáxias começaram a se formar tipo uns 400 mil anos depois do Big Bang. A ideia é que o hidrogênio e a pitada de hélio criados junto do Big Bang começaram a se aglutinar lentamente para formar as galáxias. Galáxias pequenas, chamadas de anãs que pouco a pouco deram condições para o nascimento das primeiras estrelas.

 

As primeiras estrelas formaram-se a partir de hidrogênio quase puro, já que não havia elementos mais pesados que o berílio ou o lítio, e mesmo assim em frações desprezíveis do total da matéria produzida pelo Big Bang. Essas estrelas poderiam ter massas gigantescas, alguns astrônomos acreditam que poderiam chegar ao equivalente a mil vezes a massa do Sol. As estimativas dizem que elas poderiam estar brilhando já quando o universo tinha 150 milhões de anos, época correspondente à Era das Trevas do universo, uma época em que não havia nenhuma estrela ou galáxia formada para brilhar. Ou pelo menos não havia muitas delas. Quando as primeiras estrelas acenderam, a quantidade de radiação ultravioleta emitidas por elas era tão grande que elas ionizaram o gás espalhado no espaço, dando origem à reionização do universo. A partir de mais ou menos 500 milhões de anos o universo já tinha estrelas e galáxias o suficiente para serem detectadas hoje, mais de 13 bilhões de anos depois.

 

Mas de acordo com a teoria, nessa época só havia galáxias pequenas, as maiores foram se formando com a fusão das menores. Com 500 milhões de anos de vida, o universo não teria tido tempo suficiente para ver crescer galáxias muito grandes, ou buracos negros. Mas de uma vez só vez, dois estudos que acabaram de ser publicados mostram que o cenário pode ser diferente.

 

No primeiro deles, uma equipe de astrônomos encontrou duas galáxias gigantescas já formadas quando o universo tinha 780 milhões de anos. Isso corresponde a mais ou menos 5% da idade dele. O que impressiona é justamente o tamanho das duas para uma idade tão curta. Dan Marone, professor da Universidade do Arizona e autor principal do estudo afirma que essa é a galáxia mais massiva já encontrada no primeiro bilhão de anos do universo. Pelas teorias atuais, elas simplesmente não teriam tido tempo para crescer tanto.

 

Para complicar ainda mais as coisas, outra equipe publicou um artigo relatando a descoberta do buraco negro mais distante do universo. Se é o mais distante, você sabe, é também o mais antigo e adivinha quando ele foi encontrado? Quando o universo tinha 690 milhões de anos! Menos ainda que as galáxias aí de cima!

 

Na verdade o que se descobriu foi um quasar, ou seja, uma galáxia distante com um buraco negro central devorando matéria de forma desenfreada. De tão distante a gente não enxerga a galáxia em si, só o brilho intenso emitido pelo disco de acreção do buraco negro.

 

Agora o melhor, sabe quanta massa tem o buraco negro desse quasar? Oitocentos milhões de vezes a massa do Sol! Segundo Eduardo Bañados dos Observatórios Carnegie e o autor principal do artigo publicano na “Nature”, em apenas 690 milhões de anos não só já havia uma galáxia grande formada, como já tinha dado tempo do buraco negro central ter acumulado 800 milhões de massas solares! Galáxias com buracos negros dessa ordem de massa precisariam levar alguns bilhões de anos pelo menos para fazer isso!

 

Alguma explicação para como tudo isso aconteceu? Por enquanto não, mas ambos os trabalhos sugerem que as condições no universo quando ele era bem jovem eram muito diferentes do que as teorias preveem. Uma coisa é certa, para crescerem tanto e em tão pouco tempo, a quantidade de massa disponível naqueles tempos tem que ser bem maior do que o previsto. Além da disponibilidade, algum mecanismo deve ter facilitado o acúmulo de toda essa massa apressando tudo.

 

Os estudos publicados essa semana não invalidam o modelo do Big Bang, mas indicam que existem alguns detalhes que ainda precisam ser ajustados ou melhorados e assim a teoria vai ficando mais robusta. Com o lançamento do sucessor do Hubble, o telescópio espacial James Webb, isso vai acontecer várias vezes, pois um dos objetivos dele é justamente observar as primeiras galáxias se formando.



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