Avisar ou não a um idoso sobre a morte de um ente querido? | Longevidade: modo de usar

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Mês passado, quando escrevi a coluna sobre como falar sobre a morte de um ente querido com as crianças, os leitores levantaram uma questão da maior relevância: e no caso dos idosos, como proceder? Um deles escreveu que a mãe morreu sem saber que um dos irmãos e seu pai haviam falecido, porque os filhos temiam que, por ter pressão alta e sofrido um derrame anos antes, a notícia poderia representar um risco para sua saúde. Aproveitei minha conversa com a psicóloga, psicanalista e especialista em gerontologia Eloisa Adler, sobre como lidar com saudades, perdas e luto nessa época do ano, para tratar do tema.

“É preciso autorizar as pessoas a sentir a dor, mas o que muitas vezes acontece é que a família não sabe como lidar com o sofrimento”, ela ensina. “Os mais velhos já contabilizam inúmeras perdas e isso lhes dá uma relação diferente com a morte. Aceitar não é o mesmo que se acostumar, mas não viver o luto deixa a pessoa com pendências não resolvidas”, acrescenta. Eloisa Adler afirma que os filhos que estão na faixa dos 50 e 60 anos ainda enfrentam novas questões que surgem com a idade: “encarar a velhice dos pais é um grande desafio, pois além da arte de cuidar dos pais velhos, há também o confronto com o próprio envelhecimento. Freud já falava, em ‘O mal-estar na civilização’, sobre os fatores capazes de causar impacto devastador no ser humano – os acidentes da natureza, o declínio do corpo físico e as relações interpessoais”.

Na sua opinião, o preocupante em relação aos idosos é o isolamento: “a dor existe, está posta, mas se a pessoa tiver uma rede de afeto, de amigos e familiares, está mais protegida e pode criar novos vínculos afetivos. Por mais que o tempo fique diminuto com o passar dos anos, não se pode prever sua duração e, até o fim, tudo pode acontecer. O imponderável assusta, mas também é um presente”. É claro que o impacto da notícia sempre provoca uma reação emocional forte, independentemente da idade do indivíduo, mas será administrável se ele estiver tomando a medicação adequada e tiver suas doenças crônicas sob controle. Entretanto, no caso de um idoso em situação de grande fragilidade, é importante consultar o médico que o acompanha para saber se há algum cuidado especial a ser tomado.





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