Partiu Nebulosa de Órion? | G1 – Ciência e Saúde

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Se você curte astronomia, já deve ter visto uma imagem da Nebulosa de Órion pelo menos uma vez. Essa nebulosa deve ser o objeto astronômico mais fotografado da astronomia profunda, ou seja, excluindo o por do Sol, Lua e planetas. Ela é alvo fácil no nosso verão, está bem perto das Três Marias, que compõem o Cinturão de Órion e é, na verdade, a “estrela” que fica bem no meio da espada pendurada no cinturão. Em noites abertas e sem Lua, ela pode ser vista como uma manchinha discreta mesmo em locais muito iluminados.

 

A Nebulosa de Órion é um imenso berçário ativo de estrelas, ou seja, ainda é possível observar estrelas em formação, não só estrelas de pouca massa, mas também estrelas massivas, aquelas com mais de 10 vezes a massa do Sol. Regiões que formam estrelas desta categoria são mais raras e por isso, a Nebulosa de Órion é particularmente interessante, além disso, a relativa proximidade dela – menos de 1.500 anos luz – a faz um alvo muito visado de quem estuda formação de estrelas.

 

A proximidade da região é um fator muito importante que permite enxergar detalhes de todos os processos envolvidos na formação e evolução das estrelas. Todas as estrelas mais massivas deste aglomerado, provavelmente já se formaram e o que vemos agora é a formação das menos massivas. Como a região não está tão longe assim, podemos ver não só as menores se formando, como também como as maiores interferem nesse processo. Não é incomum pegar um artigo sobre M42, outro nome conhecido dessa nebulosa, começando com ‘a Nebulosa de Órion é um dos melhores laboratórios para estudos de formação e evolução estelar’…

 

Por conta dessa importância toda, muita gente usa o que temos de melhor em termos de instrumentação para estudar M42. Eu já estive na apresentação de resultados de campanhas de observação dela usando os telescópios espaciais Hubble (visível), o Chandra (raios-X) e Spitzer (infravermelho), só para você ter uma ideia. As campanhas chegaram a durar meses em cada um dos telescópios, mas os dados obtidos permitem traçar um cenário muito preciso da região.

 

Bom, se você nunca viu a Nebulosa de Órion, ou mesmo que já tenha visto, prepare-se para ver de um jeito nunca visto antes: de dentro!

 

A Nasa tem um programa chamado ‘Universo de Aprendizagem’ que trabalha para dar um tratamento mais didático aos dados e, portanto, aos resultados obtidos em suas missões. O pessoal desse programa usa os dados de um telescópio da Nasa, junta com informações publicadas de estudos de terceiros e coloca tudo de uma forma bem didática com grande apelo visual. Em outras palavras, faz um filme digno de Hollywood!

 

Em uma sessão da Sociedade Astronômica Americana, a Nasa lançou dois vídeos fazendo uma verdadeira imersão pela Nebulosa de Órion. Tudo ali é “baseado em fatos reais”, ou seja, junta imagens do Hubble e do Spitzer e usa a interpretação física delas para construir um mapa 3D em que é possível navegar por dentro.

 

Por exemplo, sabemos que assim que uma estrela massiva se forma, ela começa dissipar a nebulosidade à sua volta; literalmente ela assopra o seu entorno. Sabemos também que se uma estrela de pouca massa estiver se formando por perto dela, seu material vai ser ionizado e uma frente de choque deve se formar. Tudo isso foi observado em Órion e está nas imagens dos telescópios, mas com as medidas precisas de posição e distância obtidas por outros métodos é possível construir um modelo em 3 dimensões. Tudo isso usando um verdadeiro arsenal de super computadores que consigam fazer as contas para cada ponto de milhares de fotografias em 2 dimensões.

 

E o resultado? Aqui você vê a versão mais curta dos vídeos, com 30 segundos, que combina tanto as imagens do Hubble, quanto as imagens do Spitzer só para ter um gostinho. Mas se você quiser ver os vídeos completos basta seguir o link. Aperte seu cinto de segurança e pegue sua barrinha de cerais!

 



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