Um novo mapa de Titã | G1 – Ciência e Saúde

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Titã

A missão Cassini terminou sua missão no dia 15 de setembro do ano passado. Você lembra? Ela passou mais de 13 anos estudando Saturno e seu sistema de anéis e satélites. Dentre eles, a Cassini dedicou uma boa atenção a Titã, a maior lua de Saturno.

 

Desde o final da década de 1970, quando a sonda Pioneer 11 fez uma passagem rápida pelo sistema, já se sabia que essa lua seria um alvo muito interessante para missões futuras. Todo interesse, no entanto, veio de uma coisa que a Pioneer 11 não viu em Titã: sua superfície. Mais tarde, a sonda Voyager 1 fez um sobrevoo mais cuidadoso e confirmou as expectativas dos astrônomos.

 

Titã é coberto por uma atmosfera densa e amarelada que impede observar sua superfície e é a única lua do Sistema Solar a ter essa característica. A pressão na superfície de Titã é cerca de 50% maior que a pressão terrestre e na década de 1980 havia muitos debates se a atmosfera de Titã era como a atmosfera da Terra antes da vida surgir por aqui.

 

Tudo isso motivou a proposta da sonda Cassini, que teria a missão de finalmente desvendar os mistérios de Titã, inclusive lançando uma sonda para fazer um pouso suave em sua superfície. A sonda Huygens, contribuição da agência espacial europeia, fez isso em janeiro de 2005.

 

Para poder enxergar a superfície de Titã, a Cassini levou câmeras infravermelhas que conseguiam observar pela atmosfera e assim conseguiu não só mapear seu terreno, mas também revelar mares e lagos de metano líquido. Com o término da missão, os dados da Cassini sobre Titã foram processados e os primeiros resultados foram publicados essa semana.

 

O primeiro trabalho publicado traz um mapa global da superfície de Titã. Infelizmente a missão da Cassini não era mapear Titã por completo. Por isso, apenas 9% das imagens são em alta resolução e entre 20-30% do mapa foi feito com imagens de baixa resolução.

 

O restante, a grande maioria na verdade, foi feita com base em outras informações, como dados de rádio por exemplo, e com auxílio de um programa para processar as imagens de modo a deixa-las iguais às do infravermelho. Ainda assim, o mapa revelou novos vales e montanhas, nenhuma delas mais alta do que 700 metros.

 

Mas outros dois resultados são ainda mais interessantes. Em um deles ficou claro que os 3 mares de metano têm todos o mesmo nível. Como na Terra, onde os mares estão todos ao nível do mar. Os instrumentos da Cassini eram capazes de distinguir uma diferença de apenas 40 cm na altura das estruturas e conseguiram medir que a maior diferença entre a altura de dois dos mares descobertos era de apenas 11 metros ao longo de toda a lua!

 

E, para isso acontecer, deve haver uma maneira dos oceanos se comunicarem, ou seja, deve haver um grande lençol subterrâneo ou uma intrincada rede de cavernas que se comunicam por baixo da superfície.

 

O outro resultado de destaque, e que na verdade está sem explicação razoável por enquanto, tem a ver com os lagos. Quase todos os lagos de Titã estão em bacias cujas margens são verdadeiros penhascos afiados. É como quando alguém corta um buraco em um bolo para encher com calda. Uma explicação possível é que os lagos se formaram com o afastamento de duas massas rochosas sem que houvesse desabamento, formando duas paredes verticais.

 

Mas nem mesmo os autores do trabalho estão confiantes disso, tanto que colocaram partes do mapa de Titã disponíveis para download. Com isso esperam que entusiastas de astronomia reprocessem as imagens para tentar obter resultados complementares que ajudem na explicação.

 

Crédito da imagem: NASA/JPL/Caltech



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