ONG diz que clonagem de macacos é ‘espetáculo de horror’ | Ciência e Saúde

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A ONG Pessoas para o Tratamento Ético dos Animais (Peta) qualificou de “espetáculo de horror” o experimento feito por uma equipe de cientistas chineses, que clonou dois primatas com o mesmo método usado para criar a ovelha Dolly em 1996.

“A clonagem é um espetáculo de horror: uma perda de vidas, tempo e dinheiro, e o sofrimento que tais experimentos causam é inimaginável”, afirmou a organização em comunicado, segundo a agência Efe.

A revista especializada “Cell” publicou na quarta-feira (24) um estudo em que explica que uma equipe de cientistas chineses clonou recentemente dois primatas geneticamente idênticos pela 1ª vez.

Os primatas, dois macacos de cauda comprida, foram criados através da transferência nuclear de células somáticas, ou seja, a partir de células do tecido de um macaco adulto, em um procedimento feito no Instituto de Neurociência da Academia Chinesa de Ciências em Xangai.

O experimento é visto como a quebra de uma barreira técnica que pode, futuramente, abrir a porta para clonagem de humanos — embora eles garantam que esta não é sua intenção.

“Humanos são primatas. Então, para a clonagem de espécies primatas, incluindo humanos, a barreira técnica agora está quebrada”, disse Muming Poo, que ajudou a supervisionar o programa no Instituto, a repórteres, em teleconferência.

Segundo a ONG, “a clonagem tem uma taxa de erro de pelo menos 90% e por isso estes dois macacos representam a miséria e a morte em uma escala enorme”, de acordo com a Efe.

“Este experimento, e todos os demais experimentos em animais, devem acabar imediatamente”, exigiu a organização, lembrando que quem faz estas práticas recebe constantemente recursos para realizar “experimentos disformes em animais, e clonar macacos é a última ‘Frankensciência'”.

Há oito semanas uma macaca fêmea deu à luz um clone, criado a partir de células de tecido, a mesma técnica usada com a famosa ovelha Dolly, e dez dias depois nasceu um segundo macaco, idêntico ao primeiro, no mesmo centro.

Zhong Zhong e Huahua, dois macacos-cinomolgos idênticos, viraram os dois primeiro primatas –ordem dos mamíferos que inclui macacos, símios e humanos– a serem clonados de uma célula não-embrionária.

Os dois clones estão saudáveis, garantiram os pesquisadores chineses, que explicaram que a principal razão para clonar estes primatas é por serem evolutivamente muito próximos dos humanos e poderem ajudar na pesquisa para descobrir a cura de doenças.



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