Médicos testam novo alvo cerebral contra alzheimer – 30/01/2018 – Equilíbrio e Saúde

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J faz mais de duas dcadas que a estimulao cerebral profunda, conhecida como marca-passo cerebral, usada com sucesso para controlar os sintomas do mal de Parkinson e melhorar a qualidade de vida de quem tem a doena.

Era de se esperar, portanto, que a tcnica fosse testada para outras doenas, como demncias e at obesidade.

O tratamento –um implante de eletrodos no crebro, ligados a um marca-passo implantado na pele na altura da clavcula– se baseia na ideia de que a ativao dos neurnios por meio da estimulao profunda possa trazer melhoras cognitivas e comportamentais e ajudar a reparar os danos funcionais.

Na aposta da tcnica contra o mal de Alzheimer, um grupo de mdicos de Toronto, no Canad, foi pioneiro e relatou, em um estudo de 2012, um incremento no metabolismo cerebral e melhora clnica aps um ano. O objetivo era retardar a progresso da doena, no revert-la.

Agora, uma pesquisa publicada nesta quarta (31) na revista mdica especializada “Journal of Alzheimer’s Disease” mostra o resultado de uma nova iniciativa de pesquisadores da Universidade do Estado de Ohio (EUA) contra a doena. Eles testaram um novo alvo no crebro para receber a estimulao: o lobo frontal.

Segundo Douglas Scharre, coautor do estudo e diretor do instituto de neurologia da universidade, essa regio responsvel pelas nossas habilidades de resoluo de problemas, organizao e planejamento, e sua estimulao causou uma desacelerao no declnio dos pacientes na comparao com um grupo de pessoas que no receberam esse tratamento.

O estudo pequeno, mas mostrou que seguro. Trs pacientes com mal de Alzheimer em estgio moderado receberam o marca-passo cerebral e foram avaliados depois de mais de 20 meses. No houve efeitos adversos srios ou permanentes.

Uma das voluntrias era LaVonne Moore, 85. Segundo os autores, quando ela comeou a participar do estudo, em 2013, j no cozinhava mais. Depois de dois anos de tratamento, voltou a preparar refeies simples e a selecionar suas prprias roupas.

The Ohio State University Wexner Medical Center
LaVonne e o marido, Tom Moore, 89, afirmam que houve alguma melhora da doen
LaVonne e o marido, Tom Moore, 89, afirmam que houve alguma melhora da doena

SEM CURA

Eduardo Mutarelli, neurologista do Hospital Srio-Libans, diz que importante notar que a estimulao no fez com que os pacientes melhorassem, mas que o quadro parasse de progredir –resultado mais comum no tratamento da doena, que ainda no tem cura.

Ele faz outra ressalva: os trs pacientes que participaram do estudo utilizaram antidepressivos, o que pode ter participao na melhora cognitiva, mesmo que isso tenha sido negado pelos autores.

De toda forma, o resultado do estudo positivo. “Com ele, ns temos chance de fazer mais pesquisa com estimulador, porque no houve reaes adversas”, diz.

A Academia Brasileira de Neurologia j afirmou em nota que o tratamento experimental, que os estudos realizados at hoje envolveram poucos pacientes e que no h dados consistentes sobre o acompanhamento desses voluntrios a longo prazo.

Falta ainda saber se a estimulao pode, de fato, agir sobre o acmulo de protenas no crebro associadas morte progressiva de neurnios.



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