UE destina 18 milhões de euros para energias renováveis em Cuba | Natureza

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A União Europeia (UE) vai destinar 18 milhões de euros a Cuba para que 24% da eletricidade da ilha seja gerada em 2030 com energias renováveis. O acordo é o primeiro após a normalização das relações diplomáticas. Os europeus também preveem financiar a partir do fim do ano um programa de apoio à segurança alimentar resistente ao clima e sustentável em Cuba, com uma contribuição de 19,65 milhões de euros.

Outro dos objetivos do acordo com energias renováveis é ajudar a ilha socialista a “atrair investimentos” estrangeiros para o setor da energia e “intercambiar práticas” para avançar na agenda 2030 de Desenvolvimento Sustentável. A informação é do comissário europeu de Cooperação e Desenvolvimento, Neven Mimica.

A aproximação entre Bruxelas e Havana ocorre desde 1º de novembro de 2017 com a entrada em vigor do Acordo de Diálogo Político e Cooperação.

O bloco e Cuba estão decididos aprofundar relações independentemente de Washington. Cuba é afetada por um embargo americano desde 1962. Uma aproximação foi ensaiada pelo ex-presidente americano Barack Obama, mas seu sucessor na Casa Branca, Donald Trump, paralisou o degelo com as autoridades da ilha.

A nomeação, em 19 de abril, de Miguel Díaz-Canel como presidente cubano, após os governos de Fidel e Raúl Castro, tampouco mudou a postura de Washington, que reiterou sua prioridade de libertar Cuba, onde permanece o “legado de tirania” dos líderes da revolução de 1959.

Já a UE, que também enfrenta a diplomacia de Trump na questão do acordo nuclear iraniano, opta por manter sua estratégia de diálogo com as autoridades como “a melhor forma de acompanhar as transformações em Cuba”, disse à AFP um alto funcionário europeu.

Investimentos internacionais

Os europeus esperam que sua cooperação econômica com a ilha melhore a vida dos cubanos e estabeleça assim as bases para uma maior abertura política no país latino-americano, onde o Partido Comunista (PCC, único), com Raúl Castro à frente até 2021, representa o núcleo do poder cubano.

“Há mudanças simbólicas. Pela primeira vez, temos um presidente que não participou da revolução, que não é um militar”, mas “precisa-se de tempo para medir o impacto que isto terá na linha política do país”, detalhou esta fonte, que pediu anonimato.

A ilha trabalha atualmente para atualizar seu modelo econômico de perfil soviético, um plano que contempla uma maior abertura a investimentos estrangeiros e à promoção de negócios privados.

Os 28 países da UE são os principais investidores estrangeiros em Cuba (principalmente nos setores de turismo e construção), segundo a Comissão Europeia, que calcula além disso em 471 milhões de euros as importações de bens cubanos em 2017 e em 2,094 bilhões suas exportações à ilha.

Junto à cooperação econômica, Havana e Bruxelas lançaram também cinco diálogos sobre desenvolvimento sustentável, não proliferação, controle de armas, direitos humanos e medidas unilaterais, cuja primeira reunião formal terá lugar entre outubro e março de 2019.

A questão da liberdade política e dos direitos humanos na ilha, que já foi abordada em três diálogos separados entre Bruxelas e Havana, é também prioritária para a diplomacia europeia, que enfrenta uma forte pressão das bancadas conservadora e liberal da Eurocâmara.



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