O Sol em calmaria

0
1301




Selo Cassio Barbosa
G1
Ciclo solar
O Sol tem um ciclo de atividade de magnética que se repete a cada 11 anos, mais ou menos. Esse ciclo se manifesta de forma mais notável com o monitoramento do número de manchas solares. Ocorre que as manchas solares são pontos onde o campo magnético interno do Sol afloram fazendo com que o plasma solar se esfrie um pouco. Como o plasma nesse ponto é um pouco mais frio que o plasma que o circunda, o contraste o faz parecer mais escuro.
O ciclo de manchas solares tem períodos de máximo e mínimo de atividade, ou seja, tem épocas que o número de manchas é muito grande, com muitas explosões solares inclusive, e em outras épocas tem poucas manchas para contar a história. Quando o Sol está no período próximo do máximo solar e com intensa atividade magnética, as explosões solares podem interferir no cotidiano terrestre. Elas podem interromper as comunicações por rádio, podem afetar os satélites de comunicação e os que fornecem o sistema de GPS. Em situações assim, vários instrumentos em órbita são literalmente desligados para preservar sua eletrônica. Por outro lado, esses problemas praticamente desaparecem nos períodos do mínimo solar.
O ciclo de manchas solares influenciam também o clima na Terra. As explosões solares alteram o campo magnético da Terra, que funciona como uma blindagem contra raios cósmicos. Nos períodos de máximo solar, as explosões estimulam o campo magnético intensificando sua proteção e com isso a incidência de raios cósmicos na atmosfera diminui bastante. O inverso ocorre nos períodos de mínimo, com o enfraquecimento da blindagem, aumenta a incidência de raios cósmicos. Existem estudos que mostram que a maior incidência de raios cósmicos estimula a produção de nuvens na atmosfera. O efeito disso é aumentarem as chuvas e, com o aumento da cobertura de nuvens, pode haver uma diminuição da temperatura média global.
O ciclo de manchas solares é observado persistentemente desde 1600, mais ou menos, depois que Galileu Galilei começou a fazer registros precisos usando seu telescópio. Todavia, é possível retroceder mais de 10 mil anos na datação do ciclo através da contagem de anéis de crescimento de árvores. Como o ciclo de manchas infuencia o ciclo de chuvas, as árvores respondem crescendo mais quando chove mais. Essa ciência, chamada de dendroclimatologia já demonstrou a estabilidade do ciclo de manchas solares, que continua praticamente com mesmo período por esse tempo todo. Na verdade, amostras de árvores fossilizadas, mostram que que o ciclo é estável há centenas de milhões de anos. Mas também mostra que há máximos mais intensos que outros e mínimos mais profundos que outros.
Ciclo solar
Nasa
Atualmente o Sol está no fim do seu ciclo de número 24, que teve início com o Sol atingindo seu mínimo de atividade no dia 04 de janeiro de 2008 e que começou a sair dele apenas no meio de 2010. Este mínimo foi o mais profundo desde 1906, ou seja, além dele durar muito, dois anos e meio, foi um período em que o Sol passou muitos dias sem manchas. O máximo solar se deu em dois tempos, ou seja, teve um pico duplo como tem sido nos últimos ciclos. O primeiro máximo se deu no fim de 2012 e o segundo no fim de 2014.
E como estão as contagens atualmente?
Bem, o Sol completa hoje 16 dias seguidos sem nenhuma mancha solar detectada, totalizando mais de 102 dias sem manchas só em 2018 (ano passado inteiro foram 104 dias) e 820 dias no ciclo atual. Mesmo com uma atividade tão baixa, o Sol de vez em quando manda um recadinho de que não está morto. Semana passada, por exemplo, uma explosão de média intensidade foi registrada bem na borda do Sol, ou seja, na fronteira da face visível.
As previsões dos modelos mostram que o ciclo 24 deve terminar por volta do início do ano que vem, talvez no meio de 2019, e, mais do que isso, mostram que este será um ciclo com um total de manchas bem baixo. Essa também é uma tendência observada nos últimos ciclos, além de picos duplos cada vez mais separados, o total de manchas de cada ciclo está diminuindo.
Ciclo Solar
NOAA
Ninguém tem uma explicação definitiva sobre esse fato, mas isso já foi observado na história dos registros de manchas. Um mínimo em particular, chamado mínimo de Mauner observado entre 1645 e 1715 está associado a uma queda expressiva de temperatura global. Tão expressiva que esse período é chamado de ‘pequena era do gelo’. É bom frisar que essa associação não é consenso nos meios científicos. Por temperatura global, leia-se temperatura registrada na Europa. Nessa época não havia muitas estações meteorológicas no hemisfério sul que pudesse dar um panorama global de fato.
Tudo aponta para que o ciclo 25, o próximo ciclo solar, será ainda menos intenso que o atual. Em 1888 o total de dias sem nenhuma mancha solar chegou a 150 e como estamos no meio do ano ainda, é possível que até dezembro chegaremos nessa marca. Para o ano que vem, os modelos apontam que podemos chegar ao valor de 2008 e ficarmos com pelo menos 265 dias sem sequer uma mancha solar. Nos últimos 115 anos, 2008 guarda o quarto lugar nos registros de dias sem manchas, sendo que o primeiro lugar é o ano de 1913 com um total de 311 dias.
Se a tendência de dimuição da atividade solar se confirmar para as próximas décadas, muitos especialistas apontam para uma reedição do mínimo de Mauner. Se isso acontecer mesmo, será possível averiguar se atividade solar pode de fato provocar uma queda expressiva nas temperaturas globais.



DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here