Avós aprendem a ser coadjuvantes na criação de netos com ajuda de cursos – 26/07/2018 – Equilíbrio e Saúde

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“A criança de hoje em dia já nasce sabendo nadar de tanto que os avós babam sobre ela”. Assim o aposentado Helio Noguchi, 67, define seu relacionamento com Lara, sua primeira neta, de um ano e três meses. 

Não é fácil, porém, passar de protagonista a coadjuvante na criação das crianças. 

Por essa e outras razões, Helio e a esposa, Elizabeth Noguchi, 66, que estão prestes a se tornar avós pela segunda vez, participaram de uma oficina de reciclagem específica para quem ganha netos. O evento ocorre mensalmente na Casa Moara, espaço de convivência que atende gestantes e seus familiares, em São Paulo.

Além dessa parte emocional da relação familiar, o encontro mensal aborda os cuidados com o bebê, como troca de fraldas, importância do sono e amamentação.

“Nem sempre é fácil aceitar esse novo lugar”, explica a psicanalista Maiana Rappaport, autora da oficina. “Optar, por exemplo, por não dar chupeta ou mamadeira pode soar como uma crítica à maneira como foram criados, mas são apenas escolhas diferentes, que devem ser respeitadas”, diz ela, que também atua como consultora do sono.

Para a psicanalista, a chegada de um bebê gera inseguranças no casal. Por isso, muitos pais preferem que os avós olhem para eles e não somente para os bebês.

Hélio e Elizabeth fazem parte do time de avós que cuidarão dos netos enquanto os pais estiverem no trabalho. Para ele, a disponibilidade integral permite acompanhar o desenvolvimento diário da criança, antes impedido pelo excesso de horas no trabalho. 

“Perdi muitas fases dos meus filhos. Com elas, sinto que vou recuperar um tempo perdido”, conta o avô.

O aposentados Fausto Andreotti, 66, também participou da oficina realizada no último dia 30 de junho. Ele e a esposa, Vera Andreotti, 62, se consideram “avôs em potencial” e vivem a expectativa da chegada da primeira neta, Antônia. 

“A chegada de um neto te impulsiona. Eu quero ver minha neta crescer, quero correr ao lado dela e, quem sabe, ver meus bisnetos crescerem”, diz Fausto, com lágrimas nos olhos. 

Para alcançar a meta, o casal faz exames periódicos e exercícios físicos. 

Para o presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, Carlos Uehara, cuidar de uma criança faz com que o idoso se movimente mais e realize importantes interações sociais. “Netos motivam os idosos a cuidarem da própria saúde”, avalia o médico. 

Quem também potencializou o preparo físico para acompanhar o pique do neto é a especialista em ginástica facial, Bartira Bravo, 70. Acostumada a se exercitar, Bartira passou a treinar mais para estar disposta para a criança. “Seria a coisa mais triste se o João me chamasse para correr até a esquina e eu não tivesse fôlego”, fala a avó que planeja correr, ao lado do neto de dois anos e meio, uma maratona Infantil.



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