Dinheiro traz felicidade, sim, e leva a uma vida satisfatória, diz estudo – 08/10/2018 – Equilíbrio e Saúde

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Dinheiro não traz felicidade, dizem nossos pais e avós. Traz sim, rebatem pesquisadores e especialistas. E leva a uma vida mais satisfatória, que fica ainda melhor conforme são adicionados zeros à direita no saldo da conta bancária.

A conclusão mais recente é de uma pesquisa que analisou a vida de ganhadores da loteria na Suécia. O trabalho, publicado em maio, indica que, em comparação com grupos de controle, os vencedores de prêmios expressivos tinham “aumentos sustentados na satisfação geral da vida”.

Quanto maior o valor, melhor: quem ganhava prêmios milionários dizia estar mais satisfeito que aqueles que tiveram a sorte de receber somente alguns milhares na loteria.

E essa felicidade não se esvaia no curto prazo, segundo os autores Erik Lindqvist, da Escola de Economia de Estocolmo, Robert Ostling, da Universidade de Estocolmo, e David Cesarini, da Universidade de Nova York. Eles descobriram que a satisfação persistia por pelo menos uma década e não parecia desaparecer com o tempo.

Uma das novidades no estudo de maio é a ideia de causalidade entre possuir mais dinheiro e ter uma vida mais satisfatória. Antes, os pesquisadores haviam conseguido identificar uma correlação entre os dois fatores, ou seja, quem tinha mais dinheiro apresentava índices maiores de satisfação.

Mas não tinham determinado que um deles provocava o outro, como no caso da pesquisa com vencedores da loteria sueca.

Um dos pesquisadores mais dedicados ao estudo do tema é Justin Wolfers, professor de economia e políticas públicas da Universidade de Michigan. Em 2008, ele publicou, ao lado de sua atual esposa Betsey Stevenson, um artigo que mostrava que pessoas com renda maior eram mais felizes.

Os dados foram coletados a partir de pesquisas publicadas pelo projeto World Values Surveys, pelo Banco Mundial e pelo instituto de pesquisa Gallup, entre outros.

O estudo também indica que não há um teto a partir do qual a correlação deixa de existir. “O que descobrimos é que não há evidência de que, em algum ponto, uma renda adicional passa a não ter efeito. Não tem esse ponto de saturação. Mesmo para os ricos, há um efeito de mais dinheiro sobre a felicidade.”

Mas é uma relação logarítmica, acrescenta. Ou seja, o valor da felicidade do próximo dólar sempre vai ser menor que o atribuído ao que você ganhou antes.

Grant Donnelly, professor assistente de marketing do Fisher College of Business, da universidade estadual de Ohio, é outro estudioso do tema.

Ao lado dos colegas Tianyi Zheng, Emily Haisley e Michael Norton, ele analisou duas amostras de mais de 4.000 pessoas com até US$ 10 milhões. A pesquisa, publicada em maio, foi feita a partir da base de dados de instituições financeiras americanas. A pergunta sobre a felicidade era inserida no meio de um questionário regular sobre a satisfação com o banco.

“Deu para saber que, quanto mais ricos, mais felizes eles eram. Mas não é uma relação linear, ou seja, quem tem US$ 10 milhões não era dez vezes mais feliz do que quem tinha US$ 1 milhão”, afirmou.

Importa ainda a forma como o dinheiro é obtido, afirma Donnelly. Segundo ele, quem trabalhou para conquistar a fortuna expressava felicidade maior do que quem herdou os milhões. “As pessoas valorizam aquilo em que colocam esforço”, resume.

E a pesquisa trouxe um dado curioso: os milionários entrevistados foram perguntados sobre o nível em que sua riqueza precisaria aumentar para que fossem mais felizes. “Eles achavam que precisavam de uma quantidade exorbitante de dinheiro para se sentirem felizes. Mas vimos que um aumento mais modesto produzira o mesmo nível de felicidade”, explica.

Aos números: quem dizia que só seria muito mais feliz com US$ 7 milhões a mais na conta bancária, na verdade, obteria o mesmo grau de satisfação com US$ 5 milhões. “Essa crença provavelmente origem na energia que as pessoas dedicam à aquisição da fortuna.”

E a coerência entre a personalidade do milionário e como ele gasta a fortuna também influencia no nível de felicidade. Essa relação foi identificada por Ryan Howell, professor associado de psicologia na universidade estadual de San Francisco.

Ele é coautor de um estudo, publicado em junho de 2014, que indica que a felicidade é maior quando o dinheiro é gasto com experiências para o endinheirado, em vez de em produtos e itens para ostentar para os outros.

“A recomendação é comprar experiências de vida, em vez de bens materiais”, diz. “Uma das coisas importantes quando você consome é ser verdadeiro com o que você é. Se você fizer algo para impressionar os outros, eles não ficarão tão impressionados e isso não vão trazer felicidade para você.”

Ou seja, comprar uma Ferrari sem gostar da marca não te traz mais felicidade, ainda mais se as pessoas às quais você tentou impressionar ignorarem solenemente ou criticarem a escolha.

O alerta ganha mais importância em tempos de ostentação em redes sociais, diz. “Toda vez que sua felicidade está em outras pessoas, você não vai ter felicidade verdadeira. A motivação importa muito. Se você faz viagens e posta fotos para impressionar, diminui a qualidade das experiências que você tem”, diz.



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