Grosseria dentro de hospitais, gera ainda mais hostilidade – 03/04/2018 – Cláudia Collucci

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Nos últimos anos, tenho frequentado muitos hospitais, felizmente, na maioria das vezes na condição de visitante ou de acompanhante.

No domingo à noite, visitava minha amiga-irmã internada no Hospital AC Camargo. Com metástases no pulmão, ossos e meninge, ela tem sentido dores horríveis só contidas (por curto período de tempo) com morfina.

Enquanto conversávamos, eu massageava os pés dela na tentativa de lhe trazer algum conforto. Uma das enfermeiras de plantão, muito atenciosa, brincou: “daria tudo para ganhar uma massagem dessas”. 

Respondi que ela bem que merecia uma massagem nos pés para encarar o plantão que iniciava. E, se fosse permitido, eu mesma poderia fazer. Ela deu uma risada, agradeceu e saiu.

Sou fã do pessoal da enfermagem, gente de fundamental importância dentro de um hospital e que nem sempre é valorizado.

Pelo contrário. Os conselhos de enfermagem colecionam casos e mais casos de todo tipo de violência contra esses profissionais que estão na linha de frente dos cuidados. De má remuneração e sobrecarga de trabalho a violência física e psicológica.

E, claro, a corda sempre arrebenta para o lado deles. Ninguém pensa no erro como algo sistêmico, que diz respeito a todos. Em geral, erros graves (como troca de medicação) ocorrem porque há problemas de processos, de checagens e rechecagens dentro da instituição. 

Eu mesma presenciei um erro desses há duas semanas. Minha irmã estava internada em um hospital na Lapa (zona oeste de São Paulo) e a enfermeira chegou para repor o antibiótico e o antiinflamatório que ela estava usando.

Ao perceber que só havia uma medicação, minha mana questionou a enfermeira. A profissional percebeu então que a colega havia aplicado o antiinflamatório da minha irmã na paciente que estava na cama ao lado. Correu e desfez o erro.

Por sorte, tudo acabou bem. Mas não dá para contar com a sorte quando se trata de cuidados médicos. Existem hoje protocolos muito bem definidos para minimizar erros dentro dos hospitais.

E também é muito salutar que o paciente (ou o acompanhante) fique atento durante esse cuidado. Nunca se esquecendo, é claro, de que errar é humano e que partir para a grosseria pode piorar a situação.

Um estudo citado recentemente na coluna do médico Perri Klass, no jornal “The New York Times”, mostra que a hostilidade por parte de familiares de pacientes pode afetar as habilidades médicas ou a capacidade de tomada de decisões.

Outros estudos revelam que a hostilidade entre os próprios profissionais (chefes que maltratam subordinados) também trazem impacto negativo não só para os que sofrem diretamente o bullying (como depressão e ansiedade), mas também para os pacientes que eles vão cuidar.

Ou seja, em qualquer situação, grosseria tende a gerar mais grosseria, raiva, estresse e desejo de revanche, mesmo que inconscientemente. E se existe um local que, definitivamente, não precisa desses sentimentos negativos esse lugar é o ambiente hospitalar.

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